segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Há algo de errado...


Há algo de errado quando a igreja se resume a um monte de gente encerrada num prédio denominado “casa de Deus”. Há algo de errado nessa ideologia que considera “estar inserido na obra de Deus” como “fazer atividades da igreja”. Há algo de errado quando igreja é tijolo e não gente ou quando essa gente é uma cambada de Percy Jacksons e não simples seres humanos de verdade.

Há algo de errado quando você precisa de momentos sobrenaturais e manifestações possivelmente espirituais para ter prazer em Deus e se deleitar nEle. Há algo de errado quando você se sente “renovado” apenas por causa de cultos cheios de “fogo” e não simplesmente por causa da Palavra. Há algo de errado quando você fica extasiado com maravilhas “espirituais” e não se maravilha simplesmente com a ternura da Palavra e o confronto e conforto que ela traz. Há algo de errado quando, para você, voltar à rotina é difícil, como se Deus estivesse restrito a algum tipo de momento ou experiência. Há algo de errado quando Deus não está inserido na sua rotina e a Presença é uma coisa que você apenas sente e não algo em que você vive.

Há um monte de coisas erradas. Em mim, em você, em nós como cristãos, em nós como Igreja. Quem sou eu para apontar essas falhas? Sou um nada. Quem sou eu para dizer quem ou o que está certo ou errado? Só mais alguém cheio de erros. O que enxergo, porém, é que nos tornamos uma GERAÇÃO SENSAÇÃO.

A Geração Sensação vive por aquilo que sente e não pelo que sabe. Ninguém quer conhecer a Deus através da meditação e estudo da Palavra ou pela comunhão com Ele nas coisas simples do cotidiano. Queremos ter um relacionamento com Ele baseado em experiências extraordinárias. Não dizemos mais como Jó: “EU SEI que meu Redentor vive” (Jó 19:25) ou como Paulo: “Porque ESTOU CERTO de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Romanos 8:38-39). Esses caras não disseram “Eu SINTO que meu Redentor vive” ou “Porque eu tô sentindo que nada me separará do amor de Deus”. Não. Como eles, precisamos ter mais convicções a respeito de Deus, de quem nós somos, de quem Ele é. Precisamos ter uma compreensão cada vez mais profunda da Verdade.

A Geração Sensação também prefere 2 horas de “louvor e adoração extravagante” a 2 horas de estudo da Palavra: “Ai, isso é cansativo”. É por isso que não sabemos quem somos muito menos quem Deus é, afinal, dedicamos horas para cantarmos mantras do gospel que repetem 352 vezes a mesma estrofe, mas que são pobres em conteúdo, meditamos em versículos isolados ou deixamos apenas pra escutar a pregação do domingo. É por isso também que, para a Geração Sensação, “renovo de Deus” é sinônimo de “cultos fervorosos” ou uma emoção provocada por uma canção. O renovo que a Palavra dá é coadjuvante. O resultado? Cristãos que ficam procurando experiências, não Deus. A Geração Sensação só conhece a Palavra superficialmente e vai sendo levada por todo vento de doutrina (Efésios 4:14), por toda invencionice ou distorção de guitarra. A falta de conhecimento faz o povo perecer (Oseias 4:6). A falta de conhecimento do que a Bíblia diz faz surgirem distorções como as citadas no primeiro parágrafo deste post: “casa de Deus” como sendo tijolos, etc.

           Enfim, que Jesus nos tire dessa condição de Geração Sensação e nos guie a uma compreensão mais profunda dEle. Que nosso desejo de conhecer mais de Deus não seja um eufemismo para “quero ter sensações sobrenaturais”. É lógico que os sinais seguirão aqueles que creem. E também que os dons do Espírito servem para edificar a Igreja. O sobrenatural é parte da vida do cristão com Deus. Que não nos tranquemos, porém, numa busca frenética por essas experiências. Que a transformação de Deus em nós não esteja condicionada a isso. Que nossa ardência e paixão em buscar a Deus não esteja alicerçada nos arrepios de quando “sentimos Deus”. Que a Palavra, porém, nos desfaça. Que nela enxerguemos quem Deus é, quem nós éramos, quem somos e quem seremos. Que sejamos como Jesus, que tinha seus momentos de comunhão a sós com Deus, mas que não considerava Deus como algo restrito a esses instantes, antes, caminhava, cotidianamente, inserido na Presença.

2 comentários:

  1. Zhé! Obrigado por compartilhar meu post! Obrigado por me ajudar a espalhar esse incêndio!

    Tamo junto!

    Netto =D

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  2. Sempre! Esse espaço no blog sempre estará aberto para coisas que são relevantes, pelo menos para mim! ;)

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